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PF cumpre mandados em loja ligada a Ciro Nogueira durante nova fase da Operação Compliance Zero

Divulgação

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (7), a 5ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional envolvendo o Banco Master.

Entre os alvos da operação está uma loja de motocicletas ligada ao senador Ciro Nogueira, localizada na zona Sudeste de Teresina, onde agentes cumprem mandado de busca e apreensão.

Ao todo, a PF cumpre 10 mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). As ações ocorrem nos estados do Piauí, São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal.

A decisão judicial também autorizou o bloqueio de bens, direitos e valores que somam R$ 18,85 milhões.

Irmão de Ciro Nogueira é alvo da operação

O irmão do senador, Raimundo Neto, também foi alvo da operação. A Polícia Federal cumpriu mandados de busca em sua residência, em Teresina, e em uma empresa imobiliária localizada no bairro Santa Isabel.

Além disso, Raimundo Neto deverá utilizar tornozeleira eletrônica, está proibido de sair do país e não poderá manter contato com outros investigados.

Já Felipe Cançado Vorcaro, primo do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso temporariamente.

“Emenda Master” está no centro das investigações

Segundo a decisão obtida pelo SBT News, a investigação aponta que a chamada “Emenda Master”, apresentada por Ciro Nogueira em agosto de 2024, teria sido elaborada pela assessoria do Banco Master.

A proposta alterava a PEC nº 65/2023 para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante, medida que beneficiaria bancos médios, como o Master.

De acordo com a Polícia Federal, o texto da emenda foi encaminhado pela assessoria do banco a aliados de Daniel Vorcaro, impresso e entregue em envelope na residência do senador.

A decisão judicial afirma ainda que o conteúdo foi “reproduzido de forma integral pelo parlamentar”. Em mensagens obtidas pela PF, Daniel Vorcaro teria comemorado a apresentação da proposta afirmando: “Saiu exatamente como mandei”.

Investigadores também apontam que interlocutores do banco avaliavam que a medida poderia “sextuplicar” os negócios do Master e provocar uma “hecatombe” no mercado financeiro.

PF aponta pagamentos mensais a senador

As investigações ainda apontam que Ciro Nogueira teria recebido pagamentos mensais de aproximadamente R$ 300 mil de Daniel Vorcaro.

Segundo o ministro do STF André Mendonça, além dos repasses, também foi identificada a aquisição de participação societária com “expressivo deságio”.

“(A investigação) confirmou a aquisição de participação societária com expressivo deságio, pagamentos mensais da ordem de R$ 300.000,00 ou mais, além de outras transações atípicas atribuídas à estrutura vinculada ao parlamentar”, diz trecho da decisão.

Em outra conversa recuperada pela PF, Daniel Vorcaro orienta um de seus operadores a disponibilizar um cartão de crédito para uma viagem do senador e de sua esposa à ilha de St. Barths, no Caribe.

Conversas interceptadas

Em um dos diálogos anexados ao inquérito, Léo Serrano questiona Daniel Vorcaro sobre despesas do senador:

“Só uma pergunta rápida... eh pros meninos continuarem pagando conta dos restaurantes do Ciro/Flávia até sábado?”

Vorcaro responde:

“Sim. Depois leva meu cartão para St. Barths”.

A investigação segue sob supervisão do Supremo Tribunal Federal.