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Divulgação
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, criticou nesta terça-feira (30) a demora na tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6x1. Durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, do CanalGov, ele afirmou que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), está "brincando com fogo" ao manter a proposta sem andamento na Casa.
A PEC foi aprovada pela Câmara dos Deputados no fim de maio e propõe a redução gradual da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, além da extinção da escala 6x1. No entanto, o texto ainda aguarda despacho da presidência do Senado para iniciar sua tramitação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Ao comentar a demora, Boulos comparou a situação a uma partida de futebol e afirmou que Alcolumbre estaria fazendo "catimba", expressão utilizada para se referir a estratégias de atraso durante um jogo.
"O presidente do Senado precisa lembrar que existe o contra-ataque. Quando você fica muito na defesa fazendo catimba, pode perder a bola no meio-campo e sofrer o contra-ataque", declarou.
O ministro também afirmou que não há justificativa para que uma proposta com amplo apoio popular permaneça sem votação.
"É uma pauta que interessa ao povo brasileiro e que conta com o apoio de mais de 70% da população. Não faz sentido ela ficar parada em uma gaveta por tanto tempo", disse.
Além das críticas ao presidente do Senado, Boulos contestou manifestações de representantes do setor empresarial contrários ao fim da escala 6x1. Segundo ele, argumentos de que a mudança prejudicaria a economia ou provocaria aumento de preços representam um "terrorismo patronal" e não encontram respaldo na realidade.
Enquanto isso, a PEC continua aguardando o encaminhamento de Davi Alcolumbre à CCJ. O presidente da comissão, senador Otto Alencar (PSD-BA), afirmou que, assim que o texto chegar ao colegiado, terá tramitação prioritária por se tratar de uma matéria de interesse dos trabalhadores.
Para esta quarta-feira (1º), está prevista uma sessão de debates temáticos no Senado sobre a proposta, além de uma reunião entre Davi Alcolumbre e representantes da base do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para discutir o andamento da PEC.