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Motoristas e cobradores aceitam acordo e greve do transporte coletivo em Teresina deve ser evitada
Divulgação
Após nova assembleia realizada na tarde desta segunda-feira (25), motoristas e cobradores do transporte coletivo de Teresina aceitaram abrir mão de parte das reivindicações salariais e encaminharam um acordo que deve encerrar o risco de greve no sistema da capital.
A decisão foi anunciada pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Rodoviários do Piauí (Sintetro), Antônio Cardoso, após reunião com a categoria na sede do sindicato. Segundo ele, os trabalhadores decidiram flexibilizar parte das negociações em respeito à população e às tratativas conduzidas pelo Tribunal Regional do Trabalho da 22ª Região (TRT-22).
“Mais uma assembleia dolorosa para a nossa categoria, porém muito consciente do nosso trabalho e, assim, em respeito à população, em respeito ao Judiciário, que conduzia essas negociações por mais de uma semana tentando achar uma alternativa”, afirmou o sindicalista.
O principal impasse envolvia a base de cálculo do reajuste salarial de 5,35% destinado aos cobradores e fiscais. O Sintetro defendia que o percentual fosse aplicado sobre o salário mínimo atual de R$ 1.621, enquanto o Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros de Teresina (Setut) queria utilizar como referência o valor da convenção passada, de R$ 1.601.
De acordo com Antônio Cardoso, a diferença representaria perdas anuais entre R$ 160 e R$ 170 para os trabalhadores. Ainda assim, a categoria optou por aceitar o entendimento para evitar que o caso fosse levado a dissídio coletivo.
“Chegaria em torno de R$ 160 a R$ 170. E a gente sabe que, se fosse para um dissídio coletivo, poderia ser bem pior. Da forma que fechamos, tivemos um ganho real”, declarou.
Categoria rejeita retirada gradual dos cobradores
Outro ponto decisivo nas negociações foi a rejeição da proposta empresarial que previa a retirada gradual dos cobradores caso houvesse ampliação da frota de ônibus na capital.
Segundo o presidente do Sintetro, os empresários queriam que, a partir de 225 veículos em circulação, os novos ônibus passassem a operar sem cobradores. A proposta foi recusada pelos trabalhadores.
“Eles estipularam uma quantidade de veículos rodando em Teresina que, a partir do número de 225, daí pra frente todos seriam sem cobrador. E a categoria não aceitou, mostrou união e continua preservando os cobradores”, afirmou.
Apesar das concessões feitas pela categoria, o sindicato avalia que o acordo garante ganhos reais aos trabalhadores, especialmente por conta do reajuste no ticket alimentação e das melhorias no plano de saúde.
“Somando ao longo do ano, você tem um ganho de mais de R$ 1.500”, pontuou Antônio Cardoso.
Frota sucateada segue sendo alvo de críticas
Durante a assembleia, a liderança sindical também voltou a cobrar aumento da frota e renovação dos ônibus que circulam em Teresina. Segundo o sindicato, a precariedade dos veículos tem afetado diretamente as condições de trabalho dos profissionais.
“A categoria está doente por conta dessa frota velha e sucateada. A ordem de serviço com a superintendência é de 245 ônibus, e não tem esse tanto de carro rodando. A gente quer que eles rodem”, disse.
Uma nova assembleia está marcada para as 9h desta terça-feira (26), quando os trabalhadores deverão oficializar a aprovação final do acordo. Em seguida, o documento será encaminhado ao TRT para homologação.
Com o entendimento, o sistema de transporte coletivo deve garantir reajuste salarial de 5,35%, aumento do ticket alimentação para R$ 800 e melhorias no plano de saúde da categoria, com participação financeira da Prefeitura de Teresina por meio do subsídio ao sistema.
Segundo Antônio Cardoso, neste momento não existe indicativo de paralisação no transporte coletivo da capital.
“Acredito que não haverá greve”, concluiu.