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Família de piauiense morto em ação policial em São Paulo contesta versão da PM e pede investigação
Divulgação
O pedreiro piauiense Rafael do Nascimento Gomes, de 36 anos, morto durante uma ação da Polícia Militar em São Paulo, teve a história contada por familiares, que contestam a versão de que ele teria envolvimento em crimes. Segundo eles, Rafael enfrentava um possível surto psicológico nos dias que antecederam o episódio e jamais teve passagem pela polícia.
Natural de Boa Hora, no norte do Piauí, Rafael morava havia cerca de dois anos na capital paulista, onde trabalhava como pedreiro. Pai de dois filhos, vivia sozinho em uma kitnet e, de acordo com a família, era conhecido por ser uma pessoa tranquila, trabalhadora e sempre bem-humorada.
"Rafael era uma pessoa querida, alegre, só andava sorrindo e não se envolvia com nada errado", afirmou uma familiar.
Possível surto
Os parentes relataram que, recentemente, Rafael começou a apresentar comportamentos incomuns. Segundo eles, o pedreiro passou a publicar mensagens nas redes sociais dizendo que estava sendo perseguido e gravou vídeos afirmando que algumas pessoas acreditavam que ele fazia parte de uma facção criminosa.
Ainda conforme a família, a proprietária do imóvel onde ele morava chegou a enviar mensagens relatando que Rafael aparentava estar transtornado e apresentava sinais de um possível surto.
O que aconteceu
A família acredita que, no dia da ocorrência, Rafael danificou o vitrô da própria residência e passou a pular muros e telhados de casas vizinhas em razão do estado de confusão mental em que se encontrava.
Assustados com a movimentação, moradores acionaram a Polícia Militar por suspeita de furto.
Segundo os familiares, os policiais chegaram a abordar Rafael, verificaram seus documentos e, inicialmente, não constataram a prática de nenhum crime.
O próprio boletim de ocorrência, conforme a família, registra que não houve confirmação de furto. No entanto, durante o atendimento da ocorrência, a Polícia Militar informou que Rafael teria tentado tomar a arma de um dos agentes, momento em que outro policial efetuou os disparos.
O pedreiro foi atingido por três tiros, no tórax, no ombro direito e no flanco direito. Ele chegou a ser socorrido e levado ao Pronto-Socorro de Perus, mas não resistiu aos ferimentos.
Família questiona ação policial
Os parentes afirmam não compreender o que teria levado Rafael a reagir contra os policiais e defendem que os agentes deveriam ter percebido que ele apresentava sinais de alteração psicológica.
Além disso, criticam a divulgação de informações que o associavam a crimes.
Segundo a família, um homem que trabalhava com Rafael e o buscava diariamente de madrugada para o serviço chegou ao local da ocorrência durante a abordagem policial. Ele teria informado aos policiais que Rafael era trabalhador e que, todas as madrugadas, saía de casa para trabalhar, contrariando a suspeita de que praticava furtos na região.
Investigação
A Polícia Civil de São Paulo instaurou um inquérito para apurar as circunstâncias da morte.
De acordo com a família, o quarto onde Rafael morava foi encontrado completamente revirado, sem energia elétrica e com fios e cordas espalhados, o que, na avaliação dos parentes, reforça a hipótese de que ele enfrentava um surto psicológico.
Imagens gravadas por moradores mostram o momento em que Rafael cai após os disparos. Também é possível observar que ele estava com o corpo coberto por tinta branca.
Corpo será levado ao Piauí
Os familiares realizaram uma campanha para arrecadar recursos destinados ao translado do corpo para Boa Hora, no Piauí. A quantia necessária foi alcançada, e agora a família aguarda a liberação do corpo pelo Instituto Médico Legal (IML), onde ainda são realizados os exames periciais antes do retorno ao estado.