Polícia

Morte de tio de Suzane von Richthofen gera disputa judicial por herança milionária

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A morte do médico Miguel Abdala Netto, de 76 anos, deu início a uma disputa judicial que envolve Suzane von Richthofen, condenada pelo assassinato dos próprios pais, e Silvia Magnani, prima de primeiro grau do médico. O conflito gira em torno de uma herança estimada em cerca de R$ 5 milhões e começou poucas horas após a descoberta do corpo, antes mesmo do sepultamento.

O corpo de Miguel foi encontrado na madrugada do último sábado (10), em sua residência no bairro Campo Belo, zona sul de São Paulo. Ele estava em avançado estado de decomposição, e a Polícia Civil trata a morte como suspeita, aguardando os laudos do Instituto Médico Legal (IML). Até o momento, os exames preliminares apontam para a possibilidade de um ataque cardíaco fulminante, embora a investigação siga em andamento.

Horas após a localização do corpo, Suzane von Richthofen compareceu à delegacia e tentou autorizar a liberação do cadáver para sepultamento, alegando ser a parente mais próxima. O pedido, no entanto, foi negado pela polícia, que impediu a cremação até a conclusão dos exames periciais. A liberação do corpo acabou sendo concedida a Silvia Magnani, que organizou o enterro realizado na terça-feira (13), na cidade de Pirassununga, no interior paulista.

Segundo Silvia, o sepultamento foi simples e não atendeu ao desejo de Miguel, que gostaria de ser enterrado ao lado da mãe e dos avós. Ela afirmou ainda que manteve uma relação próxima com o médico por 14 anos e foi a única pessoa presente no cemitério.

Até o momento, apenas Suzane e Silvia se apresentaram como interessadas diretas na herança. Silvia afirma que busca “justiça” para o primo e que aceitará a decisão judicial, independentemente do resultado. A situação pode mudar caso seja localizado um testamento, possibilidade que segue sob investigação.

Na ausência de testamento, a legislação prevê que a herança seja destinada aos sobrinhos, o que beneficiaria Suzane e o irmão dela, Andreas von Richthofen. Silvia afirmou que tentou localizar Andreas, mas não obteve sucesso, mantendo a disputa, por enquanto, restrita a ela e Suzane. A defesa de Suzane já ingressou com ação judicial para pedir a tutela do corpo e a nomeação como inventariante dos bens.

Miguel Abdala Netto era tio materno de Suzane e foi responsável pela tutela de Andreas após o assassinato de Marísia e Manfred von Richthofen, em 2002. À época, Miguel também atuou como inventariante do patrimônio da família, avaliado em cerca de R$ 10 milhões. De acordo com relatos de Silvia, o médico manifestava preocupação em não deixar bens para Suzane, em razão dos conflitos familiares e do crime cometido pela sobrinha.

Em 2005, Miguel acionou a Justiça após Suzane tentar afastá-lo da inventariança sob acusação de sonegação de bens. No ano seguinte, ele denunciou que Suzane estaria rondando sua residência, o que resultou em um pedido de prisão preventiva. Miguel possuía dois apartamentos e um sítio, não tinha filhos nem esposa, e grande parte do patrimônio familiar teria sido consumida por dívidas, especialmente IPTU e custos de manutenção de imóveis abandonados.

A Polícia Civil aguarda os resultados dos exames toxicológicos e demais laudos do IML. Apesar de não haver sinais de violência ou arrombamento na residência, o caso segue sendo tratado como morte suspeita até a conclusão da perícia.