Polícia

Personal trainer denuncia série de agressões do ex-namorado no Maranhão e em Teresina

Divulgação

A personal trainer Letice Santana denunciou ter sido vítima de uma série de agressões físicas e psicológicas cometidas pelo então namorado, em episódios ocorridos no Maranhão e, mais recentemente, em Teresina. Segundo o relato, a violência teria se intensificado ao longo do relacionamento, marcado por controle, ameaças e intimidações.

De acordo com a vítima, os dois se conheceram há alguns anos, mas retomaram o contato em dezembro do ano passado. A relação evoluiu rapidamente e Letice passou a morar com o companheiro no município de Pedreiras, onde ele ocupava um cargo público. Nesse período, ela afirma que as agressões eram constantes e acompanhadas de ameaças relacionadas à função exercida pelo suspeito.

“Passei três meses morando com ele em Pedreiras, no Maranhão, onde ele tinha um cargo público e, por ter esse cargo público, me ameaçava constantemente. Sofria violência doméstica, estrangulamento, jogava a minha cabeça no chão. Ele dizia que tinha poder e, se eu denunciasse, iria direto para ele, então ele iria retirar a denúncia”, relatou.

Agressões continuaram em Teresina

Ainda conforme o depoimento, o casal veio para Teresina pouco antes da Semana Santa. Durante a estadia, um novo episódio de violência teria ocorrido motivado por ciúmes.

“A gente veio para Teresina uma semana antes da Semana Santa. Nessa semana, devido a uma crise de ciúmes, ele me deu um murro na boca. Nisso, eu vim para a casa da minha mãe sem denunciar, continuei calada”, contou.

Letice afirma que decidiu encerrar o relacionamento dias depois, quando retornou ao local para buscar seus pertences. No entanto, a situação teria evoluído para mais um episódio de violência, desta vez na presença de outras pessoas.

“Após a Semana Santa, eu peguei minhas coisas e disse que iria embora. Eu estava com minha afilhada e disse que não estava dando certo. Ao tentar sair, a família dele interferiu. Me seguraram, ele me enforcou na frente das pessoas e elas não fizeram nada. Eu cuspi sangue na blusa de um rapaz e ele não fez nada. Então me trancaram no quarto e ele fugiu do flagrante”, afirmou.

Violência psicológica e manipulação

Além das agressões físicas, a personal trainer relata ter sofrido forte pressão psicológica durante o relacionamento. Segundo ela, o suspeito frequentemente a culpava pelos conflitos e a chamava de “louca”, levando-a a duvidar da própria percepção da realidade.

Em um dos episódios, ele teria comprado medicamentos controlados para que ela dormisse, o que agravou o estado emocional da vítima.

“Ele me pressionava, dizia que eu era louca, que o problema era eu. Chegou a comprar remédios controlados para eu dormir e, por estar nessa situação, eu cheguei a acreditar”, disse.

Outras possíveis vítimas

Após tornar o caso público nas redes sociais, Letice afirma que recebeu mensagens de outras mulheres que alegam ter vivido situações semelhantes envolvendo o mesmo homem.

“Após eu me pronunciar nas minhas redes, apareceram diversas mulheres que ele já torturou, que já passaram pela mesma situação e que, por ele ter cargo público e por a mãe dele oferecer dinheiro, se sentem coagidas”, relatou.

Segundo a vítima, o suspeito também utilizava suposta influência para intimidá-la e desencorajá-la a formalizar denúncias, principalmente quando fazia uso de bebidas alcoólicas.

Onde buscar ajuda

A Secretaria das Mulheres do Piauí (Sempi) orienta que vítimas de violência de gênero procurem apoio e denunciem. Em Teresina, o atendimento pode ser realizado nas Delegacias Especializadas no Atendimento à Mulher (DEAMs):

  • 1ª DEAM – Centro: Rua Coelho Rodrigues, 760
  • 2ª DEAM – Norte: Av. Roraima, 2563, Aeroporto
  • 3ª DEAM – Sul: Av. Henry Wall de Carvalho, s/n, Saci
  • 4ª DEAM – Sudeste: Conj. Dirceu Arcoverde
  • Casa da Mulher Brasileira: Av. Roraima, 2563
  • Delegacia de Feminicídio: Av. Pedro Freitas, s/n
  • Central de Flagrantes (24h): Rua Coelho de Resende, Centro-Sul

Casos de violência doméstica também podem ser denunciados por meio do telefone 180, que funciona em todo o país.