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Mais de 40% dos piauienses estão endividados, aponta Serasa

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Mais de 40% da população adulta do Piauí estava endividada em dezembro de 2025, segundo dados do Serasa, divulgados no Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas. O percentual representa crescimento de cerca de 12% em relação ao mesmo período de 2024.

Apesar da alta na comparação anual, a contadora e educadora financeira Fátima Ribeiro explica que os últimos meses do ano costumam registrar leve redução no endividamento, principalmente por causa do pagamento do décimo terceiro salário.

“No final de ano há uma redução. Houve um aumento em relação a 2024, mas, em comparação com novembro, sempre há uma queda. As pessoas usam o décimo terceiro para quitar dívidas”, destaca.

Segundo a especialista, esse movimento tende a se inverter logo no início do ano, quando novas despesas passam a pressionar o orçamento familiar.

“Em janeiro, o endividamento volta a crescer. Muitas pessoas quitam dívidas com o décimo terceiro e, na sequência, assumem novos compromissos, como material escolar e gastos das férias, que começam a pesar agora”, pontua.

Mesmo com o avanço, o índice do Piauí permanece abaixo da média nacional, que é de 49%. O estado figura entre os menores percentuais do país, ficando atrás apenas de Santa Catarina, que registra 39%.

Perfil das dívidas

O levantamento aponta que as dívidas no estado estão concentradas principalmente em bancos e cartões de crédito, que representam 26% do total. Em seguida aparecem contas básicas, como água e energia elétrica (22%), financeiras (19%) e serviços (11%).

“O cartão de crédito não é uma dívida em si, é uma forma de pagamento. Ele não é um vilão. O problema é o mau uso, quando se parcela supermercado, combustível ou medicamentos. Parcelar gastos recorrentes é um erro”, alerta Fátima Ribeiro.

Mesmo com percentual proporcionalmente mais baixo, o volume de renegociações é expressivo. Somente em dezembro, mais de 63 mil acordos foram firmados no Piauí por meio do programa Serasa Limpa Nome, indicando forte adesão da população às iniciativas de negociação.

Os dados fazem parte do recorte regional do estudo mensal do Serasa, que acompanha a inadimplência no país e analisa o comportamento dos consumidores diante das oportunidades de renegociação.

Como se organizar financeiramente

Para quem enfrenta dificuldades financeiras, a orientação é começar pelo diagnóstico da própria realidade econômica.

“É pegar papel e caneta. Se eu ganho R$ 2 mil, não é o limite do cartão, é o salário que cai na conta. Preciso eliminar o supérfluo e listar gastos como aluguel, transporte, água, luz, telefone e supermercado”, orienta a educadora.

Caso não haja sobra no orçamento, a recomendação é buscar alternativas para aumentar a renda ou reduzir despesas. “Para equilibrar as finanças, é preciso aumentar a receita e diminuir os gastos, criando uma reserva de emergência”, explica.

Outro problema recorrente é a falta de clareza sobre o valor total das dívidas. “Muita gente não sabe quanto deve. Recebe o salário, paga algumas contas e falta dinheiro para o básico. Aí recorre ao cartão de crédito e ao cheque especial, o que só agrava a situação”, alerta.

Para quem já está endividado, a principal orientação é mudar o comportamento financeiro. “A primeira coisa é parar de comprar. Depois, parar de parcelar. Toda renegociação aumenta a dívida por causa de juros e multas”, afirma.

A recomendação é guardar dinheiro antes de negociar e priorizar dívidas essenciais. “É preciso juntar recursos para quitar a dívida e aproveitar feirões como os do Serasa. Priorizar o que envolve risco de perda, como casa e carro, e despesas básicas, como energia”, conclui.