Política

Flávio Bolsonaro admite buscar patrocínio privado para filme sobre Jair Bolsonaro e defende CPI do Banco Master

Divulgação

O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro se manifestou nesta quarta-feira (13) sobre a reportagem publicada pelo Intercept Brasil que aponta que o banqueiro Daniel Vorcaro teria destinado ao menos R$ 61 milhões para financiar o filme “Dark Horse”, uma cinebiografia em homenagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro, prevista para estrear em setembro.

Antes da divulgação do áudio obtido pela reportagem, Flávio havia classificado as acusações como “mentira” durante uma coletiva. Após a repercussão, o senador confirmou que procurou apoio financeiro junto ao então dono do Banco Master, mas negou qualquer troca de favores ou recebimento de vantagens.

“No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet”, afirmou o senador.

Flávio Bolsonaro também defendeu a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o caso envolvendo o Banco Master.

“Mais do que nunca é fundamental a instalação da CPI do Banco Master. É preciso separar os inocentes dos bandidos”, declarou.

Segundo o parlamentar, ele conheceu Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, período em que, segundo ele, “não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro”. O senador afirmou ainda que os contatos posteriores tiveram como objetivo cobrar o pagamento das parcelas prometidas para a produção do filme.

“Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem”, disse.

A reportagem do Intercept Brasil revela que a troca de mensagens entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro ocorreu entre dezembro de 2024 e novembro de 2025. Um dos diálogos citados aconteceu em 16 de novembro de 2025, um dia antes da prisão do banqueiro no Aeroporto de Guarulhos, quando ele tentava embarcar em um jato particular com destino a Malta.

Em uma das mensagens, Flávio escreveu:

“Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”

Vorcaro respondeu com uma mensagem de visualização única, cujo conteúdo não foi recuperado pela perícia da Polícia Federal. Em seguida, o senador respondeu apenas: “Amém!”.

Ainda conforme a reportagem, documentos obtidos indicam um pagamento de US$ 2 milhões relacionado ao financiamento do longa-metragem. O dinheiro teria sido transferido da empresa Entre Investimentos e Participações para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas, nos Estados Unidos.

Os documentos apontam ainda que Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, e o empresário Thiago Miranda atuaram como intermediários das operações financeiras. Zettel está preso e é apontado pela Polícia Federal como operador financeiro do banqueiro.

Também são citados na reportagem o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro e o deputado Mário Frias, ex-secretário de Cultura do governo Bolsonaro.

As conversas indicam ainda que os pagamentos para o filme seriam feitos em dez parcelas de US$ 2,5 milhões. Em uma mensagem atribuída a Vorcaro, enviada em janeiro de 2025, o banqueiro teria determinado prioridade absoluta aos repasses:

“Não pode falhar mais”.

Outro áudio divulgado pelo Intercept, datado de 8 de setembro de 2025, mostra Flávio Bolsonaro demonstrando preocupação com atrasos nos pagamentos.

“Eu fico sem graça de ficar te cobrando, está em um momento muito decisivo aqui do filme. E tem muita parcela para trás. Está todo mundo tenso, e eu fico preocupado aqui com o efeito contrário do que a gente sonhou pro filme”, disse o senador.

Segundo a publicação, a relação entre os dois se intensificou ao longo de setembro daquele ano, período em que a produção do filme enfrentava dificuldades financeiras. Em uma das conversas, Flávio afirma que o projeto estava “no limite” e precisava dos recursos para continuar funcionando.

A reportagem também menciona um jantar que teria sido marcado na casa de Vorcaro com o ator Jim Caviezel, escalado para interpretar Jair Bolsonaro, e o diretor Cyrus Nowrasteh. Não há confirmação de que o encontro tenha acontecido.