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Divulgação
A conclusão de uma licitação para a construção de uma escola municipal em Barras, no Norte do Piauí, tem levantado questionamentos sobre a aplicação de recursos federais destinados à educação. A obra, sob responsabilidade da Prefeitura Municipal, administrada pelo prefeito Edilson Sérvulo de Sousa (Edilson Capote), será custeada com verbas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).
Inicialmente orçada em R$ 9.600.794,82, a construção foi arrematada pela empresa CCL Construções pelo valor de R$ 9.300.794,82, representando um desconto de apenas R$ 300 mil, o equivalente a 3,1% de redução em relação ao preço de referência.
O projeto prevê uma escola com apenas nove salas de aula, destinada a atender 315 alunos do 1º ao 9º ano, em regime de tempo integral, em um terreno localizado próximo à sede do município.
Por se tratar de recursos federais, a aplicação do dinheiro público exige rigor técnico, economicidade e total transparência, especialmente em um setor sensível como a educação básica.
Números que levantam dúvidas
Ao dividir o valor total do investimento pelo número de estudantes que serão atendidos, o custo médio chega a R$ 29.526,35 por aluno. Para uma unidade escolar com estrutura relativamente modesta, o montante chama atenção e desperta questionamentos sobre a composição da planilha orçamentária apresentada no processo licitatório.
Especialistas em gestão pública alertam que valores dessa magnitude só se justificam quando há diferenciais técnicos significativos, como laboratórios especializados, quadras poliesportivas cobertas, auditórios, bibliotecas de grande porte ou soluções arquitetônicas complexas — informações que, até o momento, não foram detalhadas publicamente.
A falta de transparência sobre o projeto arquitetônico e os itens que compõem o orçamento dificulta a fiscalização social e impede que a população compreenda exatamente como estão sendo utilizados os recursos federais destinados à educação municipal.
Comparação alarmante com campus do IFPI
O ponto mais sensível, no entanto, surge ao comparar o valor da escola municipal com outra obra educacional em andamento no município: o campus do Instituto Federal do Piauí (IFPI). A escola da prefeitura custará aproximadamente 70% do valor total do campus federal, uma comparação que causa estranheza e levanta sérias dúvidas sobre a proporcionalidade dos investimentos.
O IFPI contará com laboratórios de informática, química, física e biologia, oficinas técnicas, biblioteca ampla, equipamentos de alta tecnologia e infraestrutura voltada ao ensino técnico, médio integrado e superior. Já a escola municipal terá foco exclusivo no ensino fundamental, com apenas nove salas de aula.
Como uma escola de ensino básico pode se aproximar, em custo, de uma instituição federal com estrutura complexa e múltiplas finalidades educacionais? Essa é a pergunta que ecoa entre técnicos, educadores e moradores do município.
A resposta é fundamental para avaliar a responsabilidade fiscal, a legalidade dos gastos e a correta aplicação dos recursos do FNDE, sob pena de comprometer a credibilidade da gestão municipal e o uso eficiente do dinheiro público.